MAPINGUARI

Talvês nos dias atuais ainda exista um remanescente dos Preguiças Gigantes. Mapinguari:Fato ou Mito?



Terça-feira, Agosto 26, 2003

[foto:internet]P.Anibal
MAPINGUARI: Fato ou Mito?
por Paulo Aníbal G. Mesquita
pauloanibal@yahoo.com.br Fone: 11-96792160
Desde quando estivermos pela primeira vez na região amazônica, entramos em contato com o mito mapinguari e passamos à investigá-lo, não como uma lenda difundida pelos índios, e sim, na possibilidade que esse "animal" ainda exista; Na verdade seria um mamífero "pré-histórico" remanescente dos antigos bichos preguiça-gigante que viviam no final do Pleistoceno (há mais de 12 mil anos atrás); talvez seja o último representante da megafauna sul-americana da Amazônia brasileira. Já Investigamos casos relacionados com o "mapi" em alguns pontos remotos da mata amazônica nos estados do Amazonas, Rondônia, Pará e Mato Grosso, neste último a fera é chamada de pé-de-garrafa em certos locais isolados. Durante as nossas pesquisas coletamos muitos relatos de índios, de alguns garimpeiros e moradores nativos envolvendo avistamentos desta "fera" durante à noite - em "pontos" distantes. Os relatos se assemelham - testemunhas afirmam que ao se depararem com o tal mapinguari, o mesmo assume postura bípede ameaçadora quando percebe à presença do homem, exibindo suas robustas garras, alguns índios relatam à eliminação de um odor extremamente fético, que dizem sair da “barriga”; possui uma longa pelagem de cor acastanhada à escura e alguns ainda citam que sua pele é semelhante ao do jacaré, possui um expressivo focinho e ter aproximadamente dois metros de altura quando de pé, já que normalmente é quadrúpede. Infelizmente temos dados que este animal tenha atacado com violência um posseiro durante à noite numa vila isolada (coqueiral) no extremo norte de Mato Grosso e a pessoa foi dada como desaparecida. Durante à nossa última expedição ao litoral paraense(2006), consegui um interessante depoimento que envolveu o ataque de uma fera que ocorreu 1 ano antes (em abril), quando o rapaz chamado Benedito Ferreira tinha se mudado recentemente para a localidade do Ariri, na Ilha de Colares – região da foz do rio amazonas, onde após oito dias de ter chegado, ele tinha saído à noite quando, de repente se aproximou um estranho animal peludo, que ficava de pé e nas patas possuía garras, que deferiu um ataque contra o rapaz que deixou inúmeros arranhões, que só parou quando os vizinhos com apus e até espingarda o afugentou. Nessa mesma noite ligaram para o locutor da rádio local, o Sr Beto Freitas, que tirou algumas fotos do Benedito ferido, mas no dia 06 de maio de 2005, quando o rapaz Benedito tinha saído de sua casa durante à noite e o mesmo foi atacado novamente pelo o estranho bicho, onde conseguiu escapar e indo diretamente para delegacia para prestar esclarecimento e pedir ajuda, posteriormente se deslocou até á casa de sua namorada, onde a mesma ficou apavorada, pois foi a primeira vez que ela viu o rapaz todo ensangüentado. Quase todas as vezes em que estive em regiões afastadas na Amazônia com o objetivo de procurar o Mapinguari, me deparava comumente com relatos de um estranho animal, parecido com um macaco mais alto que o homem, de pelo escuro, com grande focinho que lembra de um cachorro, com garras expressivas pontiagudas nas patas e que eliminava um forte cheiro de "coisa podre", que na minha concepção pode ser uma forma de defesa química ou até marcação de território, onde podemos observar esse tipo de comportamento em diversos mamíferos e insetos,mas também não consegui nenhuma prova concreta e inquestionável relacionado ao "mapi"; Somente em janeiro deste ano, num lugar nas proximidades do Rio Negro, no estado do Amazonas, seguindo por uma trilha dentro da floresta até o local de um fato presenciado por um ex-garimpeiro, onde o mesmo relatou ter visto, à longa distância, o "mapi" raspando uma árvore com suas garras das patas dianteiras, o ex-garimpeiro saiu correndo com imenso pavor quando a fera percebeu sua presença; chegando ao tal local encontramos duas árvores cujos seus caules tinham marcas que se assemelham realmente ação de três garras, onde talvez seja uma evidência direta de seu comportamento, mas qualquer conclusão é prematura e, ainda devemos analisar todas as possibilidades, desde ter sido feita por algum animal conhecido como o bicho-preguiça, tamanduá, outros e até mesmo fraude.

O ATUAL "PREGUIÇA"

Outra forma que encontramos para pesquisar à existência do mapinguari, já que defendemos ser um tipo de preguiça do passado do grupo Edentada, foi estudar o comportamento dos atuais bichos-preguiça, como à espécie Bradydus tridactylus, bem menor que seus "parentes" antepassados, é totalmente vegetariano como também seus antecessores como comprova os fósseis das arcadas dentárias de molares achados, a fêmea dá "luz"apenas a um filhote e suas patas possuem 3 dedos c/ grandes garras semelhantes, guardadas as proporções, as gigantescas preguiças do passado, que eram terrícolas, ao contrário das atuais que são arborícolas e, dificilmente descem ao solo.

INVESTIGANDO O PASSADO

Estudando também evidências fósseis dos ossos da mandíbula robusta dos antigos preguiças, em especial o Eremotherium, uma grande espécie que existia muito em nosso território até por volta de 10.000 anos atrás, verificamos à presença de grandes dentes molares, demonstrando serem herbívoros por excelência, achados fósseis das patas com fortes e pontudas garras mostram como eram importantes na captura de vegetais para sua alimentação; fósseis dos largos ossos da bacia somado aos ossos das patas posteriores provam que tinham capacidade de ficar em posição ereta e assim, alcançar folhas e galhos muito acima do solo na copa das árvores, podia apoiar-se no caule, mas não subia nas mesmas. Alguns centros de pesquisas brasileiros que estive pesquisando possuem ótimos exemplares fósseis, como no Museu Nacional (no Rio de Janeiro), museu Emílio Goelth (no Pará), museu da Fundação do Homem Americano (no Piauí), entre outros.


[dentes molares-evidencia serem herbívoros]
O Eremotherium, que chegava a mais de quatro metros, foi citado devido ao estudo de seus fósseis, mas foram achados fósseis de espécies bem menores, compatível à altura dada ao "mapi", como o Nothrotheriops shastensis, medindo 1,5 metros, considerada a menor das preguiças extintas; temos a espécie Glossoterium harlani, com cerca 1,8 metros e com uma característica que chama à nossa atenção, o de possuir um revestimento internona pele como um tipo de placa dérmica, formado uma espécie de "carapaça" que servia de proteção contra predadores;esse detalhe é importante devido ao fato de algumas pessoas afirmarem que o tal "mapi" tinha um "couro" parecido com de um jacaré abaixo dos pelos castanhos. Será o mapi um fóssil vivo? Um descendente direto do Glossoterium? Foram achados inúmeros fósseis desses mamíferos vegetarianos do grupo Endedata-Pilosa (Preguiças-gigantes) em toda América do Sul, alguns dos quais extinguiram-se, em termos geológicos, há muito pouco tempo atrás (6000 anos atrás), principalmente na região ocidental da Amazônia, no Nordeste Brasileiro, norte da Argentina e em inúmeras grutas em várias regiões do país, alguns submersos na água, onde tive a oportunidade de ver um exemplar sob as águas no interior da gruta do Lago Azul, na Chapada Diamantina (Bahia). Segundo pesquisas, na época da mega-fauna a amazônia não era uma floresta exuberante, mas uma região de savanas/cerrados, onde as florestas se concentravam apenas ao longo dos principais rios e talvêz a grande mudança climática tenha sido uma dos fatores que contribuíram para à extinção das grandes preguiças. Como essa extinção foi muito recente, por que não existir algum remanescente atualmente? Será que não pode ser o mapinguari? Comparando-se dados biológicos das atuais preguiças, dos achados fósseis citados e somando-se aos testemunhos e indícios coletados podemos ter, então, uma idéia do perfil biológico do suposto mapinguari. Porém, os indícios até agora analisados, desde testemunhos até marcas de "garras" em árvores não provam a existência do mito Mapinguari. Precisamos de evidências inquestionáveis ou será que teremos que capturar um exemplar para que o lendário "mapi" deixe de ser apenas fruto do folclore amazônico ou da "imaginação" das pessoas, que chega assustar até os mais corajosos homens na escuridão da floresta. Nossa busca continua...

(No local indicado pelo ex-garimpeiro encontramos algumas árvores com marcas parecidas com garras)
Imagens do folclore amazônico:
Ilustração:internet
Obs.: Em breve, estaremos publicando as recentes pesquisas na amazônia
PAULO ANÍBAL G. MESQUITA
pauloanibal@yahoo.com.br
fone: 11-96792160
BIÓLOGO

postado por: PAULO ANIBAL 12:35 AM




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